domingo, 20 de dezembro de 2009

CORROSÃO FILIFORME EM ESQUADRIAS DE ALUMÍNIO


Mecanismo da corrosão filiforme objeto da pesquisa. Um filamento típico é dividido em duas áreas principais: cabeça, extremidade frontal que contém uma solução de sais corrosivos, provocando reações eletroquímicas; e cauda, parte traseira, composta de produtos de corrosão secos. Por ser porosa, a cauda continua alimentando as reações ocorridas na cabeça, com oxigênio e água.


Peças sem e com corrosão filiforme em ensaio de névoa salina ácida, conforme ASTM B-117, em teste de mil horas

Caixilhos de alumínio pintado, instalados em zonas marítimas ou industriais, devem ter os pontos de usinagem protegidos com silicone neutro ou selante para evitar o processo de corrosão filiforme, como mostra este artigo de Antônio Magalhães de Almeida.

A norma ABNT NBR 14.125 - Pintura para Fins Arquitetônicos passou a exigir, em sua última revisão, a aplicação de silicone neutro nas esquadrias, nos locais de usinagem, antes dos fechamentos dos quadros, a fim de evitar o processo de corrosão filiforme. Zonas industriais ou marítimas apresentam as condições ambientais para a ocorrência desse fenômeno.

Em alumínio pintado, instalado em edificações de zona marítima, o ataque tem início onde ele estiver desprotegido, pois a capacidade natural do alumínio de regenerar sua camada de óxido e se auto-proteger é barrada pela presença de um sal, como o cloreto de sódio. Com alta umidade relativa, o sal começa a se dissolver e, conseqüentemente, uma solução de eletrólitos altamente concentrada se origina. Com a presença de hidrogênio de uma atmosfera ácida, elementos de liga, tais como cobre, ferro e chumbo, formarão uma diferença de potencial com o alumínio, dando início à constituição de uma célula de corrosão filiforme.

Como se inicia

Na interface do eletrólito com o ar forma-se um cátodo, enquanto na interface dele com o alumínio se origina um ânodo. O oxigênio se propaga no eletrólito e é conduzido no cátodo, enquanto o alumínio entra em solução no ânodo. Pelo processo de dissolução, a solução de eletrólitos se torna mais concentrada, a pressão osmótica do eletrólito aumenta e isso leva a maior tomada de água. O volume aumentado de eletrólito e produtos de corrosão resulta em zona com diferentes concentrações de oxigênio. Essas diferenças na concentração do oxigênio são forças que dirigem o crescimento da corrosão filiforme, pois a dissolução do metal é mais intensa onde a concentração de oxigênio é menor, e a cabeça filiforme migra para longe da fonte de oxigênio. Forma-se, então, uma membrana semipermeável que separa a cabeça filiforme - preenchida com uma solução concentrada de sais - da cauda, que contém produtos de corrosão secos. Essa membrana propicia a migração de íons do eletrólito na cabeça filiforme e se move, sob a película de tinta, para a frente: a membrana é renovada a partir de produtos de corrosão solvatizados, enquanto a membrana antiga se torna desidratada, determinando a direção do crescimento filiforme.


Fonte : Finestra -edição 52

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