sábado, 28 de maio de 2011

INVESTIGAÇÃO DAS CAUSAS DAS FISSURAS E DESCOLAMENTOS DE REVESTIMENTOS DE ARGAMASSA DE FACHADA


O presente trabalho aborda o caso de um revestimento de argamassa de fachada de conjunto de edifícios residenciais, localizado na cidade de São Paulo, em que o emprego de areia com excesso de finos aliado a falhas de execução foram os fatores determinantes do surgimento de fissuras e descolamentos localizados do revestimento, ainda na fase de execução. Além de uma investigação minuciosa em campo e em laboratório foram desenvolvidas soluções para o reparo do revestimento.



Embora em muitas regiões do país se utilize areias com uma certa quantidade de materiais argilosos e/ou saibros, sem que ocorram problemas com o revestimento, é recomendado que o teor de materiais finos não seja superior a 5% em massa, conforme determinava a NBR 7200/1982.



Por materiais finos são entendidos os grãos de granulometria inferior a 0,09mm, ou seja, o silte e a argila. Esses materias finos atuam favoravelmente  na  argamassa  fresca,  conferindo-lhe  melhor  plasticidade  e trabalhabilidade, mas podem provocar maior retração por secagem.

FIORITO (1994) e a experiência do Laboratório de Revestimentos do IPT, mostram que, a retração das argamassas em geral, preparadas com areias com baixo teor de finos, é da ordem de 0,06%. 
As três amostras ensaiadas apresentaram retração livre da ordem de 0,12%. Os valores obtidos para a retração restringida para as Amostras R1,R2 e R3 foram da ordem de 0,07%. 

A restrição oferecida pela base deve-se à aderência entre os dois materiais. 

Caso os esforços oriundos da retração sejam superiores à resistência de aderência, ocorre o descolamento do revestimento. 

Com o descolamento a retração passa a ser livre, atinge valores mais elevados e o revestimento fissura.






Os teores de materiais finos nas outras duas amostras ensaiadas, Amostras A e C,foram iguais a 23,7% e 16,0%, respectivamente. Esses teores são extremamente elevados.

No caso da Torre A, onde a resistência de aderência do chapisco era bastante deficiente, a retração da argamassa provocou o descolamento do revestimento e o aparecimento de fissuras.

No caso da Torre C, devido à restrição imposta pela base por meio da aderência satisfatória do chapisco ao substrato e da argamassa de revestimento ao chapisco, a retração potencial da argamassa não se manifestou.

Neste caso, as tensões internas resistentes foram maiores que os esforços devido à retração impedindo assim a ruptura do revestimento, manifestada por meio de descolamentos ou aparecimento de fissuras.

Deve-se salientar, no entanto, que parte da resistência interna do revestimento pode ter sido anulada pelos esforços solicitantes,fazendo com que a “reserva” de resistência seja menor do que aquela que o revestimento teria, caso a argamassa apresentasse uma retração normal.

Com os dados obtidos confirmou-se que os elevados teores de finos presentes nas argamassas básicas utilizadas foram o fator determinante da excessiva retração da argamassa de emboço, que juntamente com a baixa resistência de aderência da camada de chapisco foram as causas determinantes das fissuras e descolamentos do revestimento da Torre A .


Fonte: Gilberto Cavani e Mírian Cruxê de Oliveira 



No link abaixo material completo sobre tema .

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