sábado, 30 de março de 2013

MÁ QUALIDADE ATINGE 50% DOS CABOS ELÉTRICOS



Metade das marcas de fios e cabos elétricos hoje vendidas no Brasil apresentam problemas de qualidade, que podem provocar o mau funcionamento dos equipamentos elétricos e até incêndios.


Uma pesquisa exclusiva do Sindicato da Indústria de Condutores Elétricos, Trefilação e Laminação de Metais Não Ferrosos de São Paulo (Sindicel), em parceria com a Associação Brasileira pela Qualidade dos Fios e Cabos Elétricos (Qualifio), revelou que, das 50 marcas avaliadas, 50% seguem os padrões de qualidade exigidos no setor. Os outros 50% são produtos com problemas de qualidade e incluem, além das marcas não certificadas, algumas que detém o selo do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).


O levantamento foi feito entre janeiro e agosto e envolveu os condutores elétricos voltados para a construção civil. O resultado é preocupante: foram detectadas na pesquisa onze marcas certificadas com problemas graves de qualidade, o que representa 22% da amostra. Essa proporção já é maior do que a verificada no ano passado completo, quando 13% dos produtos avaliados apresentavam problemas, mesmo tendo o selo.


O principal problema de qualidade detectado nos produtos foi o não cumprimento do regulamento do Inmetro que especifica a resistência elétrica máxima dos condutores. Isso quer dizer que muitos fabricantes estão utilizando menos cobre do que é o necessário na fabricação dos fios e cabos. Quanto menos cobre é utilizado, maior a resistência do fio.

As consequências dessa ação, basicamente, são o sobreaquecimento do cabo (o que pode levar a um incêndio), a oscilação da tensão e o consequente mau funcionamento do equipamento e sua menor vida útil.


Além dos consumidores, quem sai perdendo com os produtos que não seguem os padrões de qualidade são as empresas do setor. "A concorrência desleal afeta os negócios, pois o chamado 'mercado formiguinha' representa cerca de 40% das vendas", afirma o diretor de marketing da fabricante de fios e cabos Prysmian, Jorge Minas Hanmal. Ele explica que a maior penetração dos produtos de segunda linha ocorre nas lojas de construção civil que atendem ao público em geral - que geralmente não sabe bem como diferenciar a qualidade dos materiais.

Fonte: Valor Econômico-14/10/2011

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